quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Elegia ou poema para o amor que partiu...

"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.


Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros!

Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!”




Caio Fernando Abreu



...
.....
...

Antes de finalizar a frase,
sorriu.
Sorria...
Com seus olhos tristes
Com seus poucos motivos
Com suas poucas conquistas.
Escondia a tristeza no espelho cego da noite escura.
Perdia-se na escuridão profunda, tentando sorrir manhãs,
Que infelizmente não nasciam limpas.
Antes de começar,
sorriu.
Antes de começar se foi,
Antes de começar,
morreu.

Seu sorriso me apunhala como a dor das coisas inconclusas.

Do amor inacabado
Da ilusão interrompida
Da luta pela metade
Desta droga de amor que nos corta ao meio,
Quis ela cortá-lo primeiro.
Antes de finalizar a frase,
sorriu.
Antes de finalizar a noite,
se foi.
Antes de finalizar a vida,
morreu, e ela escolheu seguir ... renasceu.

[Lia Araujo, doce-mente por Daniela]

2 comentários:

  1. desistir não foi covardia... foi meu maior ato de coragem!

    bjos, minha querida

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  2. Lia minha querida, eu jamais pensaria isso, principalmente por saber um pouco de sua historia, ao contrario, foi muito digno!

    Bjos e saudades!

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